"Comecei a ensinar para mim mesma o poder da prece. Porque é preciso pedir, especular e, mais importante ainda, a desejar com a mais ridícula das idolatrias e o mais forte dos fervores. Jamais pensaria nessa grandeza que tem o poder da palavra proferida em voz alta. De puxar o ar com a maior certeza do mundo e simplesmente pronunciar. Um anseio, um sorriso, uma lágrima, uma memória, um pedido. Um, dois, três motivos. Falar motiva. Faz a gente ter mais certeza não do que a mente quer, mas sim do que a alma precisa. Ter a coragem pra falar em voz alta naquele momento crucial de gelar e tremer os músculos. O “Me perdoe”, o “Adeus”, o “Volta, eu te amo”. E nesses momentos não é só uma expressão. É uma ponte de cristal se formando sob um lago de gelo. É submergir com força e sugar um ar mais puro, mais belo, algumas vezes até mais doído. Mas falar, e falar a verdade, e pedir com fé para qualquer que seja a sua crença… E acreditar piamente que é aquilo o que você quer, que é daquilo o que você precisa e é daquilo que você tem certeza… É algo que nada e nem ninguém irá, jamais, arrancar de você. Acredite. Faça a sua prece." 

Dahi Mattos



"Não podemos apagar o amor que nós fizemos. Foi tricotado a mão, pintado com o sangue de nossas próprias veias, possui infusões de sabor agridoce, talvez um pouco mais amargas hoje em dia. Talvez porque tenha passado do tempo, ficado demais em banho-maria. Borbulhando devagar, soltando uma fumaça inebriante, mas tóxica. Pro peito, pro andar, para o poder das mãos e dos dedos. E aí a música vai se esgotando, as colheradas de paixão muito mais secas do que há anos atrás. Virou um amor cansado, poeirento, de um cheiro acre de velhas pétalas que se apodreceram há muito. Não sei se foi bonito, é algo que nunca dá pra enxergar. Mas não se pode apagar. As fotos estão bem pregadas na parede, o quadro torto não faz nada que não seja ameaçar cair. Bem como o nosso amor. Um doce amor que eu senti, mas que não consigo mais encarar nos olhos. E agora o doce anjo no meu ombro me assombra, seus olhos inocentes já não tão gentis quanto costumavam ser. E permanece. Tudo permanece. As traças, os velhos livros que costumávamos ler juntos, as batalhas espirituais, o amor lento na cama. Se foi, mas ainda assim não consigo largar. É como se eu tentasse puxar o fio solto do único suéter que me restava, tentando desfigurá-lo conforme os nós se desfaziam. Eu acabaria nua e encolhida entre a poeira do quarto. E não haveria mais senso de certo ou errado. Não haveria regras, nem procuras, nem espera. Só luas, e partículas e chaleiras desgastadas de um amor que não é frio e nem morno. Eu não quero tomar esse chá. Mas não se pode. Não se pode, coração, apagar um amor assim." 

Dahi Mattos



"Olá, bom dia. Eu sei que você ama, sei como se chama. Eu sei que não se entrega, e eu sei o que tu pregas, mas sei que se esconde, sei que leva pra longe, um amor de febre aguda.
Olá, boa tarde. Tire a mão da balaustrada, volte um pouco pra calçada. Eu sei que quer gritar, respira fundo pra passar. Atravesse a sua ponte, eu sei que se esconde. Porquê?
Olá, o que tem dentro dos bolsos? Tem ali na banca de sorrisos um para cada hora do dia. Pegue dos bolsos os trocados que ali havia. Deixe disso. Atravesse a rua, mereça um sorriso.
Olá, boa noite. Coloque uma tiara na lua, abra a janela. Pinte um quadro amanhã, seja uma aquarela.
Boa noite. Esqueça o seu nome, atravesse a ponte, vista um sorriso. E viva. Boa noite, doce noite." 

Dahi Mattos



(via v-o-r-a-g-e-m)



(via camilacosta)



Anonymous:

Estava sentindo a tua falta por aqui..

Verdade mesmo? ._. Que bom de ouvir. E esses pontinhos são de quem eu penso que são?




"Ah, não. Não há nada pior do que o esquecimento. É como se algo viesse e apagasse os seus poros, depois lixasse a sua pele e então tirasse o teu sangue. Ninguém sobrevive sem o sangue e ninguém vive sem ser lembrado. Esquecimento é um bicho que não tem cor nenhuma, que caminha flutuando que nem vento, que não transmite luz e nem absorve nada. É uma descor. Tipo uma borrachinha que tivesse o poder impertinente de apagar você da cabeça aos pés. Morro de medo do esquecimento." 

Dahi Mattos



Eu tô bem longe, mas ainda ponho os pezinhos aqui. Tô com medo até de soprar a poeira, vai sair pó de tudo que é lugar!




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